{"id":758,"date":"2015-02-26T13:35:42","date_gmt":"2015-02-26T16:35:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.gruposamaritano.com.br\/ges\/?p=758"},"modified":"2015-02-26T13:35:42","modified_gmt":"2015-02-26T16:35:42","slug":"ha-um-periodo-em-que-os-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.gruposamaritano.com.br\/ges\/2015\/02\/ha-um-periodo-em-que-os-pais\/","title":{"rendered":"H\u00e1 um per\u00edodo em que os pais&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 um per\u00edodo em que os pais v\u00e3o ficando \u00f3rf\u00e3os de seus pr\u00f3prios filhos.<\/p>\n<p>\u00c9 que as crian\u00e7as crescem de uma maneira independente, como \u00e1rvores tagarelas e p\u00e1ssaros estabanados. Crescem sem pedir licen\u00e7a \u00e0 vida.<\/p>\n<p><!--more-->Crescem com uma estrid\u00eancia alegre e, \u00e0s vezes com uma alardeada arrog\u00e2ncia.<br \/>\nMas n\u00e3o crescem todos os dias, de igual maneira, crescem de repente.<\/p>\n<p>Um dia sentam-se perto de voc\u00ea, no terra\u00e7o, e dizem uma frase com tal maneira que voc\u00ea sente que n\u00e3o pode mais trocar as fraldas daquela criatura.<\/p>\n<p>Onde \u00e9 que andou crescendo aquele pequeno ser e que voc\u00ea n\u00e3o percebeu?<\/p>\n<p>Cad\u00ea a pazinha de brincar na areia, as festinhas de anivers\u00e1rio com enfeites e o primeiro uniforme do maternal?<\/p>\n<p>A crian\u00e7a est\u00e1 crescendo num ritual de obedi\u00eancia org\u00e2nica e desobedi\u00eancia civil. E voc\u00ea agora est\u00e1 ali, na porta da boate, esperando que ela n\u00e3o apenas cres\u00e7a, mas que apare\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p>Ali, est\u00e3o muitos pais ao volante, esperando que eles saiam radiantes, sorrindo, de cabelos longos e soltos.<br \/>\nEntre hamb\u00fargueres e refrigerantes nas esquinas, l\u00e1 est\u00e3o os nossos filhos com uniforme da sua gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o os filhos que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das not\u00edcias e da ditadura das horas que pareciam intermin\u00e1veis.<br \/>\nE eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com os acertos e erros.<\/p>\n<p>Principalmente com os erros que esperamos que n\u00e3o se repitam.<\/p>\n<p>Chega um per\u00edodo em que os pais v\u00e3o ficando um pouco mais \u00f3rf\u00e3os dos filhos.<\/p>\n<p>N\u00e3o mais os pegaremos nas portas das boates e das festas.<br \/>\nN\u00e3o temos mais os uniformes do col\u00e9gio e aqueles famosos ataques da adolesc\u00eancia passar\u00e3o a fazer falta&#8230; Passou o tempo do ballet, do ingl\u00eas, da nata\u00e7\u00e3o e do jud\u00f4.<\/p>\n<p>Sa\u00edram do banco de tr\u00e1s e passaram para o volante de suas pr\u00f3prias vidas. Dever\u00edamos ter ido mais \u00e0 cama deles, ao anoitecer, para ouvirmos a sua alma respirando. Dever\u00edamos ter acolhido com mais carinho quando corriam \u00e0 nossa cama, durante a madrugada&#8230; Conversas e confid\u00eancias entre os len\u00e7\u00f3is da inf\u00e2ncia e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de adesivos, p\u00f4steres, agendas coloridas e discos, hoje fazem falta.<\/p>\n<p>N\u00e3o os levamos suficiente ao Playcenter, ao shopping; n\u00e3o lhes demos suficientes hamb\u00fargueres e refrigerantes, n\u00e3o lhes compramos todos os sorvetes e roupas que gostar\u00edamos de ter comprado.<\/p>\n<p>Eles cresceram sem que esgot\u00e1ssemos neles todo o nosso afeto.<\/p>\n<p>No princ\u00edpio, iam \u00e0 casa de praia entre embrulhos, biscoitos, engarrafamentos, natais, p\u00e1scoas, piscinas e amigos de inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de chicletes, as cantorias sem fim e a insistente pergunta: \u201cPai, ainda falta muito?\u201d<\/p>\n<p>Depois chegou o tempo em que viajar com os pais come\u00e7ou a ser um esfor\u00e7o, um sofrimento, pois era imposs\u00edvel deixar a turma e os primeiros namorados.<\/p>\n<p>Os pais ficaram exilados dos filhos. Tinham a solid\u00e3o que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudade daquelas verdadeiras &#8220;pestes&#8221;.<\/p>\n<p>Chega o momento em que s\u00f3 nos resta ficar de longe torcendo e rezando muito para que eles acertem nas escolhas em busca da felicidade.<\/p>\n<p>E que a conquistem do modo mais completo poss\u00edvel.<br \/>\nO jeito \u00e9 esperar: qualquer hora podem nos dar netos.<br \/>\nO neto \u00e9 a hora do carinho ocioso n\u00e3o exercido nos pr\u00f3prios filhos e que n\u00e3o pode morrer conosco.<br \/>\nPor isso, os av\u00f3s s\u00e3o t\u00e3o desmesurados e distribuem t\u00e3o incontrol\u00e1vel carinho.<\/p>\n<p>Esperar&#8230; Esperar&#8230; Vamos ficando verdadeiros craques nisso.<\/p>\n<p>Olhamos para a porta de nossas casas e lembramos quando eles chegavam da escola esbaforidos, com o uniforme todo sujo e sempre morrendo de fome. Hoje, eles entram carregando a chave do carro, trazendo junto tudo o que passaram durante a semana e que agora v\u00e3o dividir com os seus pais.<\/p>\n<p>\u00c9&#8230; Chego \u00e0 conclus\u00e3o de que eu n\u00e3o tenho mais como segurar aquela crian\u00e7a no meu colo&#8230; T\u00ea-la nos meus bra\u00e7os como se fizesse parte do meu corpo, hoje \u00e9 apenas um sonho&#8230; Suas asas j\u00e1 est\u00e3o muito grandes e a vontade deles de voar \u00e9 ainda maior.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 sempre necess\u00e1rio fazer alguma coisa, antes que eles cres\u00e7am.<\/p>\n<p><em>Affonso Romano de Sant&#8217;Anna<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 um per\u00edodo em que os pais v\u00e3o ficando \u00f3rf\u00e3os de seus pr\u00f3prios filhos. \u00c9 que as crian\u00e7as crescem de uma maneira independente, como \u00e1rvores tagarelas e p\u00e1ssaros estabanados. 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