{"id":1251,"date":"2016-03-31T15:52:32","date_gmt":"2016-03-31T18:52:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.gruposamaritano.com.br\/ges\/?p=1251"},"modified":"2016-03-31T16:09:17","modified_gmt":"2016-03-31T19:09:17","slug":"espectro-cruel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.gruposamaritano.com.br\/ges\/2016\/03\/espectro-cruel\/","title":{"rendered":"Espectro cruel&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Espectro cruel que se origina nas paisagens do medo, a solid\u00e3o \u00e9 , na atualidade, um dos mais graves problemas que desafiam a cultura e o homem. <\/p>\n<p><!--more-->A necessidade de relacionamento humano, como mecanismo de afirma\u00e7\u00e3o pessoal, tem gerado v\u00e1rios dist\u00farbios de comportamento, nas pessoas t\u00edmidas, nos indiv\u00edduos sens\u00edveis e em todos quantos enfrentam problemas para um interc\u00e2mbio de ideias, uma abertura emocional, uma conviv\u00eancia saud\u00e1vel. <\/p>\n<p>Enxameiam, por isso mesmo, na sociedade, os solit\u00e1rios por livre op\u00e7\u00e3o e aqueloutros que se consideram marginalizados ou s\u00e3o deixados \u00e0 dist\u00e2ncia pelas conveni\u00eancias dos grupos.<\/p>\n<p>A sociedade competitiva disp\u00f5e de pouco tempo para a cordialidade desinteressada, para deter-se em labores a benef\u00edcio de outrem. <\/p>\n<p>O atropelamento pela oportunidade do triunfo impede que o indiv\u00edduo, como unidade essencial do grupo, receba considera\u00e7\u00e3o e respeito ou conceda ao pr\u00f3ximo este apoio, que gostaria de fruir. <\/p>\n<p>A m\u00eddia exalta os triunfadores de agora, fazendo o paneg\u00edrico dos grupos vitoriosos e esquecendo com facilidade os her\u00f3is de ontem, ao mesmo tempo que sepultam os valores do idealismo, sob a retumbante cobertura da insensatez e do oportunismo. <\/p>\n<p>O homem, no entanto, sem ideal, mumifica-se. O ideal \u00e9-lhe de vital import\u00e2ncia, como o ar que respira. <\/p>\n<p>O sucesso social n\u00e3o exige, necessariamente, os valores intelecto-morais, nem o vitalismo das ideias superiores, antes cobra os louros das circunst\u00e2ncias favor\u00e1veis e se apoia na bem urdida promo\u00e7\u00e3o de mercado, para vender imagens e ilus\u00f5es breves, continuamente substitu\u00eddas, gra\u00e7as \u00e0 rapidez com que devora as suas estrelas. <\/p>\n<p>Quem, portanto, nao se v\u00ea projetado no caleidosc\u00f3pio m\u00e1gico do mundo fant\u00e1stico, considera-se fracassado e recua para a solid\u00e3o, em atitude de fuga de uma realidade mentirosa, trabalhada em est\u00fadios artificiais. <\/p>\n<p>Parece muito importante, no comportamento social, receber e ser recebido, como forma de triunfo, e o medo de n\u00e3o ser lembrado nas rodas bem sucedidas, leva o homem a estados de amarga solid\u00e3o, de desprezo por si mesmo. <\/p>\n<p>O homem faz quest\u00e3o de ser visto, de estar cercado de bulha, de sorrisos embora sem profundidade afetiva, sem o calor sincero das amizades, nessas \u00e1reas, sempre superficiais e interesseiras. O medo de ser deixado em plano secund\u00e1rio, de n\u00e3o ter para onde ir, com quem conversar, significaria ser desconsiderado. atirado \u00e0 solid\u00e3o. <\/p>\n<p>H\u00e1 uma terr\u00edvel preocupa\u00e7\u00e3o para ser visto, fotografado, comentado, vendendo sa\u00fade, felicidade, mesmo que fict\u00edcia. <\/p>\n<p>A conquista desse triunfo e a falta dele produzem solid\u00e3o. <\/p>\n<p>O irreal, que esconde o car\u00e1ter leg\u00edtimo e as lidimas aspira\u00e7\u00f5es do ser, conduz \u00e0 psiconeurose de auto-destrui\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A aus\u00eancia do aplauso amargura, face ao conceito falso em torno do que se considera, habitualmente como triunfo. H\u00e1 terr\u00edvel \u00e2nsia para ser-se amado, n\u00e3o para conquistar o amor e amar, por\u00e9m para ser objeto de prazer, mascarado de afetividade. Dessa forma, no entanto, a pessoa se desama, n\u00e3o se torna am\u00e1vel nem amada realmente. <\/p>\n<p>Campeia, assim, o &#8220;medo da solid\u00e3o&#8221;, numa demonstra\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica de instabilidade emocional do homem, que parece haver perdido o rumo, o equil\u00edbrio. <\/p>\n<p>O sil\u00eancio, o isolamento espont\u00e2neo, s\u00e3o muito saud\u00e1veis para o indiv\u00edduo, podendo permitir-lhe reflex\u00e3o, estudo, auto-aprimoramento, revis\u00e3o de conceitos perante a vida e a paz interior. <\/p>\n<p>O sucesso, decantado como forma de felicidade, \u00e9, talvez, um dos maiores respons\u00e1veis pela solid\u00e3o profunda. <\/p>\n<p>Os campe\u00f5es de bilheteira, nos shows, nas r\u00e1dios, televis\u00f5es e cinemas, os astros invejados, os reis dos esportes, dos neg\u00f3cios, cercam-se de fan\u00e1ticos e apaixonados, sem que se vejam livres da solid\u00e3o. <\/p>\n<p>Suic\u00eddios espetaculares, quedas escabrosas nos por\u00f5es dos v\u00edcios e dos t\u00f3xicos comprovam quanto eles s\u00e3o tristes e solit\u00e1rios. Eles sabem que o amor, com que os cercam, traz, apenas, apelos de promo\u00e7\u00e3o pessoal dos mesmos que os envolvem, e receiam os novos competidores que lhes amea\u00e7am os tronos, impondo-lhes terr\u00edveis ansiedades e inseguran\u00e7as, que procuram esconder no \u00e1lcool, nos estimulantes e nos derivativos que os mant\u00e9m sorridentes, quando gostariam de chorar, qu\u00e3o inatingidos, quanto se sentem fracos e humanos. <\/p>\n<p>A neurose da solid\u00e3o \u00e9 doen\u00e7a contempor\u00e2nea, que amea\u00e7a o homem distra\u00eddo pela conquista dos valores de pequena monta, porque transit\u00f3rios. <\/p>\n<p>Resolvendo-se por afei\u00e7oar-se aos ideais de engrandecimento humano, por contribuir com a hora vazia em favor dos enfermos e idosos, das crian\u00e7as em abandono e dos animais, sua vida adquiriria cor e utilidade, enriquecendo-se de um companheirismo digno, em cujo interesse alargar-se-ia a esfera dos objetivos que motivam as experi\u00eancias vivenciais e inoculam coragem para enfrentar-se, aceitando os desafios naturais. <\/p>\n<p>O homem solit\u00e1rio, todo aquele que se diz em solid\u00e3o, exceto nos casos patol\u00f3gicos, \u00e9 algu\u00e9m que se receia encontrar, que evita descobrir-se, conhecer-se, assim ocultando a sua identidade na apar\u00eancia de infeliz, de incompreendido e abandonado. <\/p>\n<p>A velha conceitua\u00e7\u00e3o de que todo aquele que tem amigos n\u00e3o passa necessidades, constitui uma forma desonesta de estimar, ocultando o utilitarismo sub-rept\u00edcio, quando o prazer da afei\u00e7\u00e3o em si mesma deve ser a meta a alcan\u00e7ar-se no inter-relacionamento humano, com vista \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o de amar. <\/p>\n<p>O medo da solid\u00e3o, portanto, deve ceder lugar, \u00e0 confian\u00e7a nos pr\u00f3prios valores, mesmo que de pequenos conte\u00fados, por\u00e9m significativos para quem os possui. <\/p>\n<p>Jesus, o Psicoterapeuta Excelente, ao sugerir o &#8220;amor ao pr\u00f3ximo como a si mesmo&#8221; ap\u00f3s o &#8220;amor a Deus&#8221; como a mais importante conquista do homem, conclama-o a amar-se, a valorizar-se, a conhecer-se, de modo a plenificar-se com o que \u00e9 e tem, multiplicando esses recursos em implementos de vida eterna, em saud\u00e1vel companheirismo, sem a preocupa\u00e7\u00e3o de receber resposta equivalente. <\/p>\n<p>O homem solid\u00e1rio, jamais se encontra solit\u00e1rio. <\/p>\n<p>O ego\u00edsta, em contrapartida, nunca est\u00e1 sol\u00edcito, por isto, sempre atormentado. <\/p>\n<p>Possivelmente, o homem que caminha a s\u00f3s se encontre mais sem solid\u00e3o, do que outros que, no tumulto, inseguros, est\u00e3o cercados, mimados, padecendo disputas, todavia sem paz nem f\u00e9 interior. <\/p>\n<p>A f\u00e9 no futuro, a luta por conseguir a paz intima &#8211; eis os recursos mais valiosos para vencer-se a solid\u00e3o, saindo do arcabou\u00e7o ego\u00edsta e ambicioso para a realiza\u00e7\u00e3o edificante onde quer que se esteja<\/p>\n<p>Autor: Joanna de \u00c2ngelis<br \/>\nPsicografia de Divaldo Franco. Do livro: O Home Integral<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Espectro cruel que se origina nas paisagens do medo, a solid\u00e3o \u00e9 , na atualidade, um dos mais graves problemas que desafiam a cultura e o homem.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1253,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1251","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reflexoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.gruposamaritano.com.br\/ges\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1251","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.gruposamaritano.com.br\/ges\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.gruposamaritano.com.br\/ges\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.gruposamaritano.com.br\/ges\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.gruposamaritano.com.br\/ges\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1251"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.gruposamaritano.com.br\/ges\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1251\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.gruposamaritano.com.br\/ges\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.gruposamaritano.com.br\/ges\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.gruposamaritano.com.br\/ges\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.gruposamaritano.com.br\/ges\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}